Estado de choque de Carlos Nascimento

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A raça humana teve diversos golpes em sua pretensa divindade. Descobrimos que a terra não é o centro do universo, que o homem é mais um entre os animais, que a nossa semelhança divina é o resultado de uma combinação singular da evolução.

E singular é também é o livro Estado de choque de Carlos Nascimento, que atiça a mente em mais uma queda na autoestima humana. O nosso destino, nossa realidade, pode não ser nossa. Pode ser uma combinação relativa de eventos que nos guiam por aquilo que ousamos chamar de destino.

Daniel, o protagonista, após um acidente com um raio fica preso ao que eu chamaria de uma maldição. Seu corpo adquire uma instabilidade que ao entrar em contato com uma descarga elétrica, mesmo pequena, é arremessado à uma realidade alternativa, onde outras ações criaram situações diferentes no seu cotidiano e até mesmo o mundo.

Vire à esquerda, vire à direita. Um segundo e seu destino é outro. A menina que você gosta e que não teve coragem de se declarar. Hoje vive com quem, é feliz? Sou feliz sem ela?

Cada segundo é uma decisão única, é a fatalidade da vida. Mas Daniel por um acaso natural, se livra destas correntes, e o que parece ser um sonho de possibilidades se revela em um grande problema.

Sua namorada Tamiko, está com outro. O Brasil é outro. Em algum lugar nestas dimensões paralelas a ditadura não acabou. O Norte é um país independente.

E Daniel está perdido em todas estas possibilidades, esta é a sua maldição. Mas ele pode contar com amigos, que o ajudam seja qual for a dimensão, qual forem as suas escolhas.

Se você leu o livro “O universo numa casca de noz” de Stephen Hawking, sabe que o autor não divagou em impossibilidades. Este é um ponto importante do livro, Carlos Nascimento realmente pesquisou e procurou ser o mais coerente possível em sua ficção. Asimov ficaria orgulhoso.

Em resumo “Em estado de choque” é um livro muito bem escrito. Apesar das diversas situações anacrônicas, o autor não perde o norte, a leitura é boa e fluida. Se não prestar a atenção verá logo a última página e vai querer mais.

Esta é a boa notícia, ao que tudo indica as aventuras de Daniel estão apenas começando. Ele não fazia ideia de como sua vida mudaria no dia em que decidiu correr em meio a uma tempestade.

Carlos Nascimento

Carlos é um homem religioso, o que torna esta obra algo interessante. Sempre nos acostumamos a separar a religião da ciência, como se dois Deuses brigassem pela supremacia da verdade.

Mas isto é relativo, como as realidades que vivemos. Crer em uma divindade superior, em nossa alma, não nos torna menos objetivos, menos científicos. Na verdade, a religião cumpre um destino básico: dar um sentido a tudo isto, uma explicação a cada um de nossos passos; e, claramente, um alento ao nosso fim. O algo mais além do ponto final.

E a ciência é um alfabeto que nos ajuda a traduzir toda esta física de átomos e energias e forças ainda incompreensíveis existentes independente de nós.

Fato: somos espectadores do nosso destino, e todo este amálgama aparentemente incompreensível, é somente uma pedra nesta montanha gigantesca chamada universo.


Um ponto além das reticências…

Quando o Evandro Rhoden da Editora Kazuá me apresentou este livro não fazia ideia da sua história. Pedi a sinopse e só recebi uma resposta: Leia!

Foi o que eu fiz. Mas havia uma surpresa guardada nestas linhas que ninguém sabia, que ninguém teria como saber, uma coincidência.

Há mais de quarenta anos meu pai foi jogar bola. Ao final do dia ele não voltou. Foi atingido por um raio, como o Daniel.

Hoje sentei com os meus botões e uma taça de vinho e este livro e pensei que talvez ele (meu pai) também tenha ido para uma outra dimensão e que esteja feliz. E que tudo mais seja literatura…

Obrigado!

Abaixo o endereço para comprar o livro, boa leitura.

É para se ter na estante!

4 Responses

  1. Pablo Pochmann

    Verdade! Este livro é excepcional. Lendo-o, lembrei-me de quando comecei a folhear Tolkien com a pretensão de terminar “A Sociedade do Anel” antes de assistir o filme e, em apenas três dias, finalizei “O Retorno do Rei”. Carlos Nascimento tem o dom de escrever de uma forma extremamente fluida, que faz com que seu livro transforme-se em um filme em nossas mentes: nós torcemos pelos protagonistas, ficamos apreensivos em momentos chave, e curiosos para saber o que muda a cada vez que Daniel “salta” para uma nova dimensão.
    Posso dizer que sempre levo meu exemplar de “Em Estado de Choque” na mochila, para relembrar as aventuras dessa turma, que ao que tudo indica, está dando seus primeiros passos em sua jornada de aventuras.
    Afinal, quem sabe o que o futuro lhes reserva? E quem sabe o que o passado lhes reserva?
    Quem sabe…

  2. MARCOS ANTONIO GONÇALVES

    Tive o prazer de fazer a revisão deste fascinante livro. Ao penetrar nas entrelinhas desta aventura, pareceu-me estar entrando em um outro universo cheio de ficção, romance, caricaturas, suspense, intrigas, drama, etc. Com uma linguagem clara e coerente, Carlos Nascimento nos deixa hipnotizados e perplexos, fazendo-nos penetrar na trama como espectadores que querem interferir, opinar, gritar e aplaudir. A cada cena, capítulo e descrição, temos uma surpresa que vai além de nossas expectativas. A cada iminência de Daniel sofrer uma descarga elétrica; um novo suspense; e agora, o que vai acontecer? Em qual realidade entraremos? Qual presente, passado ou futuro está reservado a Daniel e a nós? Deixo essa resposta para o leitor que ainda não adentrou nessa trama de Carlos Nascimento. Só tenho a gradecer pela oportunidade de desfrutar dessa obra-prima a qual recomendo, sem reservas, àqueles que apreciam uma ótima literatura.

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