O último dia de um condenado – Vitor Hugo

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A pena de morte não é uma pena punitiva, mas preventiva. Ela te traz o medo, o medo da lei. Só se erra uma vez. A pena é única. É plena e eterna. 

Este pequeno livro de Vitor Hugo é narrado em primeira pessoa, só poderia. Fala de um condenado a morte que resolve escrever sobre a espera da aplicação da sua sentença. O dia em que vai encarar a guilhotina. 

Por que só poderia ser escrito em primeira pessoa? O motivo é simples. Vitor Hugo era a contra a pena de morte e precisava levar ao leitor os últimos instantes de um condenado, faz^-lo sentir o peso da pena. 

Ele conseguiu passar esta impressão. Você sentirá todas a sensações do condenado, o conformismo inicial. Todos vão morrer algum dia! — ele diz — uns antes de mim. (sua pena demora algumas semanas para ser aplicada). Um dos momentos mais tristes é quando ele vê sua filha pela última vez. 

O protagonista não tem o nome revelado, nem o crime. O que abre um leque para que ele seja inocente ou culpado. Será? 

Em algumas partes do livro ele parece se declarar merecedor da pena. Não há em momento algum um pedido de que ele seja inocentado, há sim um esforço para abrandar a sua pena, para que ela seja convertida em trabalhos forçados para o resto de sua vida. Algo que o protagonista rejeita num primeiro momento. Prefiro a morte! – ele diz para o advogado. 

Este é um livro bem interessante para se ler no momento em que vivemos. Apesar do Vitor Hugo tentar condenar a pena de morte, ela em alguns momentos parece justa, você se questiona, faz perguntas em sua cabeça, ensaia respostas e justificativas.  

Mas no final, chega a uma conclusão sensata. A pena de morte é ruim. Mesmo sendo aplicada a políticos corruptos, como seria o caso de hoje. Com tantas coisas erradas acontecendo, com tanta roubaria, desvios de verbas, impunidades, foro privilegiado. Ainda assim seria errado.  

A pena de morte é fatal, não leva a nenhuma redenção que não a divina. O condenado será julgado pelas suas crenças ou o que quer que ele encontre do outro lado.

Talvez uma bala na cabeça impedisse os políticos de roubar. Talvez. Mas quem não garante que estes mesmos políticos  não achariam bodes expiatórios para os próprios erros. Quem pudesse recorreria. E os pobres mais uma vez lotariam as filas das execuções.  

Presídios no Maranhão tiveram, através de rebeliões, suas penas de morte particulares. Muitos foram degolados como o protagonista da história. Os nomes do mortos se juntaram a uma massa inconformada e algum dia serão somente história. Ou enquanto ainda renderem uma notícia. 

A pena de morte banaliza a vida. Vitor Hugo tinha razão. Boa leitura.

 

Sobre o escritor

Victor-Marie Hugo, nasceu em 26 de fevereiro de 1802. Foi um romancista, poeta, dramaturgo, ensaísta, artista, estadista e ativista pelos direitos humanos francês de grande atuação política em seu país. Entre os seus livros mais conhecidos estão “Os Miseráveis” e “O corcunda de Notre-Dame”.

A infância de Victor Hugo foi marcada por grandes acontecimentos. Napoleão foi proclamado imperador dois anos depois do nascimento de Victor Hugo, e a monarquia dos Bourbons foi restaurada antes de seu décimo oitavo aniversário.

Victor Hugo passou a infância entre Paris, onde foi educado por muitos tutores e também em escolas privadas, Nápoles e Madrid. Considerado um menino precoce, ainda jovem tornou-se escritor, tendo em 1817, aos 15 anos, sido premiado pela Academia Francesa por um de seus poemas.

Sua primeira coletânea de poesia (Odes et Poésies Diverses) foi publicada em 1822, quando Hugo tinha apenas vinte anos de idade.

O Último Dia de um Condenado (no original em francês, Le dernier jour d’un condamné) foi publicado em 1829. Escrito como um protesto à sentença de morte.

O livro não foi bem recebido pela crítica por descrever a realidade nua e crua, e os críticos tacharam o livro de horripilante pelos sentimentos deprimentes que ele apresentava.

Mas como disse, é algo que precisa ser lido. Pricipalmente quando estas ideias começam a parecer justas.

Lembre-se: a pena de morte banaliza a vida. Vitor Hugo tinha razão. Boa leitura.

É para se ter na estante!

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