PIC DE JACK KEROUAC

postado em: Quem escreve, Tofu com pimenta | 0
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PIC é um pequeno romance de Kerouac, publicado dois anos após a sua morte. A princípio você vai estranhar o texto. É uma linguagem bem rudimentar, com muitos erros. Afinal o livro é escrito em primeira pessoa por um garoto negro do Sul dos Estados Unidos. Não há uma data específica de quando ocorreu a história, mas tudo leva a crer que foi por volta dos anos 50. O que justificaria a linguagem usada.

Mas é justamente esta linguagem, o jeito inocente do menino e a visão até de certa forma complexa de ver a vida que é o que mais cativa. Pictorial Review Jackson (PIC) é um menino que vive com seu avô e após a sua morte fica se destino determinado. Inicialmente vai morar com sua tia Gastonia e odeia o lugar. Antes com seu avô tinha uma cama só para ele, e agora divide com seus primos um espaço para dormir. Apesar de serem a mesma família ele se sente um estranho, lá não é o seu lar. Até que seu irmão aparece para levá-lo.

Este irmão é visto como uma pessoa que gosta de festas, que abandonou a família para cair na vida. Seus Tios odeiam Slim e a tia Gastonia faz de tudo para evitar que o seu sobrinho PIC siga a vida de pecados do seu irmão.

A única solução que Slim encontra é raptar PIC no meio da noite e leva-lo para Nova York.

A viagem dos dois cruzando o país remete em muito o livro mais famoso de Kerouac, “On the Road” (Pé na estrada), só que agora o caminho é narrado por uma criança. É neste momento que a voz de Kerouac cresce, ele sabe como ninguém descrever uma paisagem, as pessoas, as situações. Apesar das provações que eles passam pelo caminho, a viagem chega a parecer mágica. Os personagens que eles encontram pelo caminho como o fantasma de Susquehanna são fantásticos.

Não pense que por ser um livro do ponto de vista de uma criança ele não seja profundo, muito pelo contrário, é difícil não filosofar e se repensar na cabeça deste menino. PIC é um livro pequeno e gigante ao mesmo tempo. Mesmo o óleo amarelo nas águas nova-iorquinas é uma ode a poesia urbana.

O ponto alto, na minha opinião foi a noite em que PIC vê seu irmão tocar sax, uma viagem sonora, uma nota na noite, um deslocamento na córnea simplista e mecânica da racionalidade urbana, do cotidiano superficial e mundano das baratas modernas, da gente em excesso e dos pensamentos escassos.

PIC é Kerouac na sua simplicidade.

 

KEROUAC

Kerouac está entre os meus autores favoritos, gosto do seu jeito poético de escrever, de como ele se entrega ao texto.

Ele usava uma máquina de escrever e uma série de grandes folhas de papel manteiga, que cortou para servirem na máquina e juntou com fita para não ter de trocar de folha a todo momento.

Redigia de forma ininterrupta, invariavelmente sem a preocupação de cadenciar o fluxo de palavras com parágrafos.

Resumindo, pegue este livro e se deixe levar. Suba num vagão de trem nos anos 50 e como um vagabundo escondido, siga o seu destino até a última página.

Boa leitura.

É para se ter na estante!

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