Misto Quente – Bukowski

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Misto Quente de Charles Bukowski é uma ode à pobreza, à desesperança, ao antissonho americano. O livro fala de Henry Chinaski (qualquer semelhança com Bukowski é de propósito mesmo) que tem uma visão diferente do mundo. O livro começa com ele pequeno debaixo da mesa, seu lugar favorito até então.

A Família de Chinaski é uma merda. O pai um cara violento, tem uma raiva generalizada da vida, a mãe uma coitada omissa, é uma típica acéfala dos anos 50, que dizia amém a todas as merdas do seu marido.

Todo o livro é narrado em primeira pessoa, uma característica de Bukowski que fazem a maioria dos seus textos parecem autobiográficos. Chinaski conta sua vida, no começo na escola, depois na faculdade e nas ruas. Algumas de suas passagens também aparecem em outras obras como o caso da surra que levou por não cortar a grama direito. Ela também foi narrada no livro “Notas de um velho safado”, mas isto não desmerece “Misto Quente”.

Cada capítulo corre como se fosse um miniconto. Ele odeia o pai, e aos poucos vai se tornando muito parecido com ele, principalmente na agressividade. O que segura Chinaski em pé é o fato dele ser um cara “durão”, apanha sem chorar. Bate de volta com tudo, quando isto é possível.

Henry se afasta o que pode de seus colegas, mas alguns grudam nele e insistem em ser seu amigo. Ele, nas suas próprias palavras, atraiu perdedores. O legal da obra de Bukowski é que ela parece com a literatura marginal brasileira.

Fala de lares desfeitos, de passar fome, pais bêbados que batem nas mães. Lembra bem àquela frase dos Titãs: “Miséria é miséria em qualquer canto. Riquezas são diferentes”.

Nasce um escritor

“Dê uma máquina de escrever a um cara, e você o transforma em um escritor”.  Uma das passagens mais interessantes de “Misto Quente” é quando o pai de Chinaski descobre os contos do filho e o expulsa de casa. A mãe fica esperando o filho escondida nos arbustos, e quando ele passa, corre avisá-lo que não deve entrar em casa caso contrário o pai irá matá-lo (literalmente). Chinaski não se amedronta (afinal é um cara durão) e vai ao encontro do pai.

Acaba que recolhe as suas coisas na rua (o pai havia jogado tudo que era dele fora, inclusive a máquina de escrever), pega os dez dólares que a sua mãe lhe deu e cai na vida.

Aqui, parece que começam “As notas de um velho safado”. Óbvio que a obra de Bukowski não se reduz a estes dois livros. Ele vai bem mais longe, principalmente com a sua poesia, mas é legal fazer este paralelo.

Andar na noite, beber vinho barato. Fugir de quartos, conhecer loucos e bêbados. Há um certo romantismo nisso tudo. É um sujo que te atraí pela escatologia.

Grandes Amigos

Acredito que o único amigo verdadeiro que Chinaski teve, foi o Becker. Um cara que ele conheceu na faculdade e que queria ser escritor.

Na opinião de Chinaski, o cara escrevia muito melhor que ele. Este Becker poderia ser algum alter ego perdido na cabeça de Bukowski, ele é um cara que apresenta Chinaski a outros de sua espécie (escritores). É em companhia dele que Chinaski passa o último capítulo do livro. Becker tinha se alistado, os Japoneses bombardearam Pearl Harbor, ele vai embarcar para a guerra. Chinaski que não acreditava em nada daquilo, viu seu amigo subir no trem, e dizer Adeus.

Caro amigo ou amiga, se ainda não leu este livro, faça! Como diria um professor meu: É du caralho!

É para se ter na estante!

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