De RUA – uma obra de Plinio Camillo e Júlio Dias.

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A literatura é, graças aos Deuses, muito ampla. Ela pode trazer tudo, entrar no menor dos cantos, mergulhar fundo e trazer para superfície todo um universo diferente. É isso que dá tesão para o escritor, é isto que o tira da cama todos os dias, o faz pegar uma caneta, um pedaço de papel, qualquer coisa que segure a tinta, e lá colocar o que vê.

Plinio Camillo e Júlio Dias fizeram isto. Na década de 1990, estes dois Educadores e escritores conviveram com meninos e meninas de Rua, o resultado foi  este livro.

Quando olhamos para uma criança na rua, sem pais, sozinha, que segura cada dia com a unha, que apanha, que morre, só vemos um sentimento de culpa, uma impotência em nosso peito. E infelizmente, a maioria das vezes não evolui muito além disso.

Estas crianças ficam só como uma imagem, um pensamento que não agrada, uma revolta sem foco. Mas elas têm nomes, que não sabemos, tem desejos, que só imaginamos e medos, como todos nós.

Esta obra, que vai ser lançada dia 03 de março de 2018, reúne contos ficcionais, não que eles sejam invenções, ou criações livres destes dos escritores. Vai além, ela dá nomes a estas crianças. E ao fazer isto as tornam humanas. Como seus filhos, como os meus.

Sempre que eu vejo uma criança na rua, imagino meu filho lá, sentado naquele chão, naquele frio. Dói. E acredito, que foi com este olhar de pai, que eles montaram cada página, cada conto.

 

Um trecho do livro

– No princípio vão te chamar de tio. 

– Tio?!? 

– Sim Tio! Talvez você não goste… eu não gostava… porém, com o tempo, percebi que era a forma que tinham. Resquício dos igrejeiros que trabalham com eles. Muito melhor do que o ‘SENHOR’ que a molecada dá quando estão na FEBEM

[…] 

– A gente não pode ter dúvida? 

– Claro que sim… tem que mostrar que tem… o que eles não confiam é naquele que vacila e quer bancar o ‘maioral que nunca escorrega’. Esse já caiu…”

Giancarlo Silkunas Vay

 

Sobre os autores:

Júlio Gonçalves Dias

Sociólogo, autor de contos, microcontos e haicais. Está para começar ou já começou o quinto capítulo de um romance. Acredita que coisas marcantes de sua infância passada no interior de São Paulo foram o quintal de casa – enorme e cheio de árvores – e as caminhadas sozinho ou com os moleques pela pequena Novo Horizonte – quando descobriu o Circo e os acampamentos ciganos. Tinha tesouros guardados sob a cama: moedas antigas do pai, marcas de cigarros, figurinhas, piões, um chefe índio apache, estilingues e um canivetinho que a avó pensava perdido. Fingia ler grandes histórias nas bulas dos remédios e era muito orgulhoso de ir ao cinema sozinho. Um dia achou muito dinheiro na rua e começou a distribuir para todos dentro de casa. Descobriram que aquele dinheiro havia saído da bolsa de sua mãe. Ficou triste, pois sua história era muito melhor.

Plinio Camilo

Autor nascido em Ribeirão Preto residindo em São Paulo desde 1984 e encontra inspiração e respiração nas vivencias do cotidiano para cometer os seus escritos. Atento ao que lê, escuta e às distintas formas de ver o mundo. “Escrever para mim não é um ato mediúnico e sim de muita transpiração”. Encontra referências também na dramaturgia e na tradição teatral, onde reúne uma vasta experiência. Participou do Curso de Extensão Cultural na área de teatro da Unicamp e atuou como autor, diretor, ator, iluminador e assistente de produção nesta área.

 

COMPAREÇAM!!

Data: 03.03.2018 – Sábado

Horário: 16 às 20hs

Local: Espaço Kazuá– Rua Ana Cintra, 26 – Santa Cecília – São Paulo – Capital

Investimento: R$35,00 (trinta e cinco reais)

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