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Quando eu era moleque e tinha nas minhas ideias todas as possibilidades e nenhum senso do que era possível ou impossível, ganhei da minha avó por parte de pai um triciclo em forma de trator, ganhamos eu e meus irmãos, na verdade não ganhamos. Ele estava quebrado e a minha avó praticamente o jogou na casa da minha outra avó, esta por parte de mãe, e nós ficamos com ele, por anos, numa tentativa de um dia consertá-lo. 

Nunca conseguimos, o dano era irreparável, toda a parte da frente estava solta, o eixo de ferro do guidão estava partido ao meio e a menos que soubéssemos soldar, não sabíamos, aquilo jamais serviria para brincar.

Mas o guardamos mesmo assim, tentamos unir o eixo com pedaços de madeira, amarrar, equilibrar e nada, mas ainda assim o guardamos por anos. Não sei se foi por insistência, ingenuidade ou apenas esperança. Eu lembro que naquela época ela era mais viva; a minha esperança. Eu tinha toda uma vida pela frente, para fazer o que quiser, ser o que quiser, e um dia acabaria achando um jeito de andar naquele triciclo. 

Nunca andei, cresci, a esperança cedeu lugar aos planos, às necessidades, às obrigações, a ser adulto. Hoje não perco meu tempo, ele é cronometrado, crianças na escola, buscar e levar, atender clientes, orçar, fazer e receber. Conto os dias da semana, dos meses dos anos, sempre com algum prazo apertado para alguma coisa. O triciclo ficou lá atrás, perdido num tempo que já não tenho mais, quem sabe algum dia, quando eu não tiver mais prazos, eu volte a pensar em consertar alguns eixos quebrados.

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