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O velho estava em cima da árvore.

 

Ele estava nu. Seu corpo se estendia pelos galhos, tocava a árvore e ela o tocava.

 

Quando se conheceram a árvore era pequena e o velho não tão velho.

 

Oi como você chama posso me chegar. E chegou e ficou. Lá ele via pessoas passando.

 

E passando com as pessoas vinha junto o tempo. E veio o céu e a noite, que dançaram e viraram várias vezes.

 

E o velho continuava em cima da árvore.

 

O velho tinha olhos, a árvore tinha frutos. O velho via o horizonte e comia os frutos. A árvore alimentava e acalentava.

 

Os olhos viam as meninas que passavam. À medida que a árvore crescia, as meninas ficavam distantes e o horizonte, mais perto.

 

E quanto mais a árvore crescia, mais perto ficava o céu. Menor era a necessidade de olhar para baixo, para quando o tempo pedia pés no chão.

 

O velho que era homem comia os frutos, cuspia as sementes e das sementes nasciam outras árvores.

 

A reprodução era a boca. A gratidão era a boca, que comia e proliferava. Mesmo do alto da árvore, que estava grande.

 

Com o céu perto.

 

O homem estava nu, seus pelos eram folhas e as folhas eram pelos. Não havia vegetal, não havia animal.

 

Havia o que existia.

 

E o tempo que estava distante um dia chamou o velho. A árvore que não sentia o tempo assistiu.

 

O velho virou-se de lado, seus pelos não seguraram as folhas e como os frutos, caiu.

 

Passou por entre as folhas, carinho de quem não se mexe e precisa que se mexam por ela.

 

Carinho que deitou o homem, que era velho, no chão que sempre estava distante, agora não.

 

Na terra o homem ficou.

 

Da terra as raízes saíram, abraçaram. De novo acalentaram, e como se ninassem.

 

Pegou o homem.

 

E como em abraço, o trouxe para o ventre.

 

Que era terra, que era fundo, que era íntimo.

 

E da terra, subiu um sentido. A árvore sentia o horizonte. Sem olhos. Sentido.

 

A árvore estava em cima do velho.

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