Vamos mudar com as eleições ou depois delas?

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2018 será um ano complicado. As eleições trazem um sentimento de renovação. Esta renovação, por sua vez, vem carregada de um sentimento de ódio, inconformismo. A crise econômica, política e moral que vivemos alimentam pensamentos radicais.

É uma situação perigosa. Há algum tempo as mentes estão se fechando em ódio e radicalismo. Vimos amigos brigando em redes sociais, seja por partidos políticos ou posturas filosóficas. Inclusive alguns deixaram de ser amigos. Até a neutralidade foi motivo de ataque: Você não pode se omitir num momento como esse! – Era o que mais se ouvia. Minha mulher me obrigou a ir em uma ou duas passeatas. Procurei sempre seguir as que tinham algum bom senso. Cheguei a ver na mesma passeata gritos contra o racismo e logo ao lado um slogan defendendo as armas!

Discursos dispares uniram, em alguns casos, temas antagônicos. Uma passeata feminina defendia o Islã, pois estes eram oprimidos pelos porcos capitalistas norte-americanos!

Alguns subiam em palanques com armas em cintos usados como coldres, e diziam: Bandido bom é bandido morto! Estas pessoas eram investigadas da lava jato. O que será que eles entendem como bandidos?

Você poderia estar passando na rua e ser fotografado ao lado de um cartaz “Somos todos Cunha” alguns meses depois as mesmas pessoas gritavam “Fora Cunha!”. A presidenta foi demitida por pedaladas e tempos depois o atual comprou votos a céu aberto para se livrar da sua cassação.

Pessoas saíram nas ruas pedindo justiça e honestidade. Enquanto isso, leis escravagistas foram assinadas. Mas como a economia melhorou, a população (vulgo nós) deixamos o menino terminar o mandato (seria melhor para o Brasil).

Do caos ao caos

Neste cenário caótico vi, há pouco tempo, em uma livraria algo que me deixou preocupado; o livro de Hitler “Minha Luta” estava exposto com um destaque de best seller e vendendo a rodo. Com tudo o que vimos nestes últimos anos, questiono a isenção de algumas leituras. Será que elas podem trazer algum bem?

Não que o livro deva ser censurado ou queimado, como os adeptos nazistas fizeram com centenas de outros livros durante a segunda guerra, mas o problema é em como ele será lido. As pessoas terão o distanciamento necessário para ler estas ideias e colocá-las no seu contexto histórico?

Hitler ficou forte em uma Alemanha que mergulhava numa crise econômica. Ele próprio nunca se considerou um bom escritor. Seu real poder veio da oratória. Sua ideologia cresceu sem que ninguém lhe desse o devido valor. Só perceberam o tamanho da criatura quando já era tarde. Em resumo, este livro, apesar de mal escrito (segundo o próprio autor) é uma semente que não pode deixar cair em qualquer terreno.

O Brasil não terá um regime nazista, não nesta eleição e se Deus quiser nunca. Mas isto não quer dizer que estamos livres de outros problemas. Regimes opressores nem sempre vêm com uma suástica e cores vermelhas. Eles crescem como ervas daninhas, sugam a seiva de quem quer acreditar em qualquer regime justo. Se camuflam, conquistam aliados e corrompem mentes suscetíveis.

 

Posso até estar exagerando, mas pelo que vimos nestes últimos anos, não gosto de subestimar alguns pensamentos radicais. Eu nunca pensei que uma pessoa como o Trump pudesse se tornar presidente de uma das maiores economias do planeta. E se isto aconteceu lá no norte, o que pode aparecer por aqui?

Medo e precaução

Existe uma linha totalitarista que está criando um exército de zumbis ignorantes, que segregam, proíbem e impedem quem quer que seja diferente de entrar no seu círculo de privilégios. E não falo só do Brasil, o fenómeno é mundial.

Nesta hora, alguém pega o livro “Minha luta” e começa a ver coerências. Nesta hora uma pústula pressionada por décadas de descaso (do nosso governo) explode. Verte bílis e pus. Idiotas sobem ao poder, e disputam quem tem o maior botão nuclear.

Não temos botões nucleares, tudo bem. Mas a radiação dos corruptos mata gerações. Este é um ano de eleição e podemos tirar quase todos de lá, se não nos deixarmos levar por pensamentos excludentes. E no final a esperança vai para as próximas eleições.

Acredito que não seja lendo “Minha luta” que mudanças boas aconteçam, e sim com bom senso. Procurando entender a nossa fala nesta peça teatral. Não podemos mais ser figurantes. Se quiser ler o livro de Hitler, o faça, mas antes leia o que alguns historiadores falaram daquele período.  Um livro meu amigo, pode ser qualquer coisa, ir para qualquer lugar e mudar qualquer mundo.

Para entender como o nazismo se infiltrou pode começar com a trilogia do historiador britânico Richard Evans sobre a Alemanha de Hitler:

O primeiro “A Chegada do Terceiro Reich”, onde Evans descreve as raízes filosóficas, ideológicas e culturais do nazismo, além da destruição deliberada do regime democrático para satisfazer a elite conservadora alemã ante o espectro do comunismo.

O segundo: “O Terceiro Reich no Poder”, onde Hilter aparece vitorioso e reordena o Estado e a sociedade alemães de modo a “coordenar” todas as instâncias da vida nacional, ou seja, segundo aquilo que se supunha fosse seu “desejo”.

E por fim “O Terceiro Reich em Guerra” onde Evans mostra como uma sociedade inteira mergulhou nesse conflito – de generais e soldados a ativistas da Juventude hitlerista e donas de casa da classe média –, mapeando os acontecimentos desde a invasão da Polônia e a Batalha de Stalingrado até os planos de Hitler para o assassinato em massa de judeus e, por fim, seu suicídio. O Terceiro Reich em guerra é uma obra-prima histórica, que revela como a Alemanha lançou-se impetuosamente à destruição de si mesma e de um continente inteiro.

Que tudo seja apenas história.

É para se ter na estante!

2 Responses

  1. Vera Carvalho Assumpção

    Muito bom seu artigo, Milton. E pertinente para o momento em que vivemos. Espero que este ano de 2018, a população brasileira, através do voto, consiga tirar do poder os corruptos, os políticos que roubam o país descaradamente. Estive em todas as manifestações da Avenida Paulista e confesso que fiquei impressionada com o poder e a energia que emanava das pessoas. Infelizmente, depois que Temer (vice da chapa e da mesma laia) tomou o poder, as pessoas não fizeram mais manifestações. Com certeza por falta de opção. O “Fora Temes” tem Rodrigo Maia como substituto. O PT nos deixou uma herança maldita!
    O mundo inteiro está bastante conturbado e aqui na América Latina, não podemos esquecer que Chaves/Maduro só tomaram o poder e arrasaram a Venezuela graças às benesses do governo brasileiro Lula/Dilma.
    Espero que este ano e estas eleições sejam abençoadas e mostrem a consciência do povo brasileiro!

  2. Strassacappa

    O problema é que esta herança maldita já vem de tempos. A corrupção virou algo comum entre os políticos. “Sempre foi assim!” ou ainda “Todo mundo faz!”. São os mantras desta corja. Eles esquecem que nem sempre o comum é o certo. Vamos torcer para que este ano muitos dos que estão lá caiam fora. Espero que tenhamos alguma opção de voto. Beijo Verinha!

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