A Paulista abre às 10

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Domingo oito da manhã.

A paulista abre às dez, já tem gente andando, gente correndo e aproveitando o dia. A paulista abre, é um ponto de vista. Para os carros ela fecha. Como não sou um carro, então ela abre.

A manhã está fria, o que é raro para o verão. Os meteorologistas deram uma explicação que tem relação com pressões atmosféricas ou algum fenômeno climático, não importa, caminhar aquece.

O clima está agradável, e não procuro explicações científicas para os deslocamentos de ar, gosto de pensar que Deus tem um termostato e de vez em quando resolve mudar a ordem das coisas.

Podia ficar assim o verão inteiro. Um frio que espanta os mosquitos e nos dá uma boa noite de sono acompanhado de um calor moderado que nos permite sair de casa sem nenhum agasalho.

Mas não teremos esta sorte. Deus não sai de casa em casa perguntando:

— Que temperatura quer hoje? Está bom assim? Um pouco mais quente talvez?

E alguém responderia:

— Pode esfriar um pouco, estou a fim de um cappuccino agora cedo.

Não, não é assim. Deus costuma seguir suas próprias regras, principalmente se nós humanos decidimos mexer na casa dele jogando no seu quintal o tal aquecimento global. Ele tira então a mão do termostato e deixa a coisa aquecer. Hoje foi legal, apesar de tudo.

Este verão está esquisito. Somos como um palhaço de circo que se equilibra na corda bamba. Estamos bem em um momento, mas uma hora vou cair e todos vão enfrentar o verão como ele é. É a hora em que Deus deixa o termostato rodar sozinho e dá-lhe calor. Ou dá-lhe frio, depende da cagada que fizemos com a emissão de carbono.

Paro de divagar, vou curtindo o friozinho da manhã e arrisco em silêncio, uma pergunta para Deus.

— Até quando vamos ter um tempo bom assim?

E ele me responde quase sorrindo.

— A paulista abre às dez.

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