História para dormir

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– E o pirata desceu de seu navio, olhou para a montanha. O xis do tesouro estava lá em cima. Vamos em frente que atrás não está o futuro.

Ele me olhou com seus olhos cansados, não precisava falar. Estendeu a mão, queria que a segurasse. Segurei.

Sua cabeça estava baixa, ajeitei o travesseiro. – Todo o conforto para você. E voltei à história, contada por tantas noites.

– E a montanha tinha perigos, perigos escondidos. Mas o pirata não tinha medo, ele seguiu sua escalada, lá no topo estava o tesouro.

Uma tosse, duas. Está piorando, espera um pouco que vou buscar o remédio. Tento soltar a mão, mas o aperto é forte, não quer que eu vá. – Aguarda um pouco, só vou pegar o remédio, é rapidinho.

Aproveito para trazer o termômetro, não faz muita diferença, mas é o que posso fazer agora.

– Não disse que era rápido, já voltei. Só um gole e voltamos para a nossa história. Levanto sua cabeça, o gole é difícil, ele engasga e logo depois melhora. Um sorriso.

– Quer descansar? Podemos continuar mais tarde.

A mão levanta. Continue. É o que me diz sem falar. Seus dedos apertam os meus, está mais forte, seria dor?

– E na encosta da montanha haviam muitas árvores, fechadas e escuras como a noite, sinistras e misteriosas cheias de animais estranhos.

Ele respira mais tranquilo, devem ser os remédios. O braço cai me libertando do seu aperto. Pego sua mão e coloco em uma posição mais confortável. Cubro e beijo sua testa.

Quando me levanto para ir para sala seus olhos se abrem. Será uma noite longa. Volto, sento e ele sorri. Não quer ficar sozinho, entendo ninguém quer. As coisas funcionam assim, somos uns dos outros, e isso é bom.

– Vamos ficar aqui o quanto for preciso. Um olhar, outro sorriso.

– Onde eu parei? Ah! E o pirata enfrentou a floresta, nela tigres e javalis estavam à espera de quem se aventurasse por seus caminhos. O pirata percebendo o perigo subiu em uma árvore. Lançou uma corda e com muita destreza escapou das feras selvagens. Mas parou em um rio que descia arrastando toras enormes, como ele iria prosseguir a sua jornada?

Um sinal com a mão. – Quer água? Sim com os olhos.

Novamente vou à cozinha, estou com sono, mas hoje não importa. A água sobe lenta pelo copo, deixo um pouco cair, acho que cochilei. Enxugo minha mão e ando vagando até o quarto, lá está ele, olhos abertos. – Aqui está sua água. — Já é o terceiro copo esta noite, será a febre?

– O pirata vendo o terrível rio em sua frente não pensou em voltar. Olhou para um lado, para o outro e não teve dúvidas. Saltou sobre uma tora que corria, rapidamente saltou para outra e com uma agilidade de um super-herói saltou e saltou por várias, até chegar à outra margem. Os tigres e javalis não acreditaram no que viram, ficaram urrando e grunhindo do outro lado sem a coragem de atravessar a enxurrada.

Seus olhos fecharam quem sabe agora consigo dormir.

Quando levanto e sigo para o meu quarto, vejo a minha cama, convidativa, me chamando. Vejo o meu corpo caindo, deitando por cima das cobertas, sonhando. Quando escuto um som agudo. Um apito fino, constante. O sono vai embora, corro para o quarto. Lá está ele. Olhos abertos. Toco a sua mão. Fria. Toco seu rosto. Frio.

Sento novamente ao seu lado. – Onde eu estava mesmo? Um sorriso triste. Meu.

– E o pirata subiu a montanha, passou pelos tigres, pelos javalis. Atravessou rios, encontrou perigos. Nunca quis voltar. Nunca pensou em voltar. E todos os dias corria atrás do xis que estava lá em cima. E cada dia contando histórias para os pequenos piratas e princesas dormirem. E ele chegou, achou seu xis. Desenterrou seu tesouro e finalmente foi dormir. Boa noite pai vai com Deus.

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